Encontrar algo útil no meio da tralha é parte essencial do trabalho de um historiador.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Duende Verde renasce

Diário de Notícias, 12 de Fevereiro de 2011

“A história de João Loureiro e o Boavista é antiga. Antes de suceder ao pai, major Valentim Loureiro, na presidência, jogou nas camaradas jovens do clube – “e nem jogava mal”, confessa.” (DN Gente, p. 5)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Se a bola toca no árbitro, o jogo continua

Como encarar os acontecimentos do Egipto com olhos portugueses? Para já, a resposta à pergunta óbvia: Hosni Mubarak chegou ao poder em 1981, um ano antes dos Táxi lançarem o álbum Cairo. Cairo, a cidade onde agora é tempo de gritar “o povo unido jamais será vencido” e promover a confraternização entre a população e as Forças Armadas.

Se tudo correr bem, os politólogos terão para estudar no Egipto um novo caso de transição para a democracia. Pode haver mesmo quem fale numa nova vaga de democratizações, desta vez iniciada na Tunísia. No entanto, as perspectivas sobre o futuro do país dos faraós (dos quais os egípcios se fartaram de vez, preferindo a democracia) têm variado por cá. De uma maneira geral, entre a opinião publicada, a esquerda tem-se envolvido emocionalmente na celebração da luta egípcia pela liberdade (e rejubilado com o contraste entre o “dominó” verdadeiro de 2011 e o “dominó” imaginário de 2003), enquanto a direita teme a chegada ao poder no Cairo dos islamistas, com o perigo que isso representaria para Israel. Só o futuro dirá se são os optimistas ou os pessimistas a ter razão. Ainda quanto à comparação com a “nossa” transição, há que perguntar se vai haver um processo de justiça política, ou seja, de afastamento e punição dos principais responsáveis do aparelho político e repressivo da ditadura derrubada. A permanência de Mubarak em liberdade no território egípcio e o facto de, formalmente, não ter havido uma ruptura súbita, permanecendo por agora os militares no governo do país, parecem pôr de lado uma depuração.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Com as nossas saudações revolucionárias

Uma reportagem exibida no programa 30 Minutos, da RTP1, aborda a equipa de futebol feminino (FF) do 1º Dezembro, na semana em que o clube atingiu a marca de 100 jogos consecutivos sem perder no Campeonato Nacional. Para lá da concentração das melhores jogadoras portuguesas na equipa sintrense, o feito das “dezembristas” revela a falta de competitividade existente no FF português, sujeito à hegemonia prolongada de uma colectividade (outrora o Boavista, na última década o 1º Dezembro) que deixa as restantes a disputar quase uma prova à parte. Coloca-se a questão de como manter a motivação de jogadoras que, a nível interno (falta ainda a afirmação nas provas europeias), nada fazem senão “ganhar, ganhar, ganhar”. No entanto, o trabalho do jornalista Luís Filipe Fonseca revela o empenho do treinador Nuno Cristóvão em evitar qualquer desleixo das suas comandadas, que pressiona mesmo depois da vitória estar assegurada. Uma vez que o profissionalismo é uma realidade ainda longe do FF português, a reportagem acompanha, além dos treinos nocturnos e dos desafios ao fim de semana, o trabalho de três jogadoras “dezembristas”, a Mariana Cabral (Expresso), Inês Quintanilha (Fundação Mário Soares) e Carla Couto (auxiliar educativa), recordista de partidas com a camisola da selecção portuguesa.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Já nos safemos!

Mundo Desportivo, 15 de Julho de 1949

“Devem chegar brevemente a Lisboa os jogadores de Lourenço Marques Mário Wilson, avançado centro, e Júlio Pereira, médio direito, que ingressarão no Sporting Clube de Portugal.” (p. 7)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sporting unido jamais será vencido

A cena de Os Mercenários que reúne Bruce Willis, Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger é um verdadeiro mimo. No resto, Stallone apresenta tudo aquilo que se esperava: tiros, facadas, porrada da grossa, explosões enormes e vilões que gostam de fazer discursos. O conceito de uma “super-equipa” acaba por funcionar melhor que o solitário Rambo. Mesmo a destruição tem uma estética, e nisso o realizador é competente. Mais difícil para Stallone é expressar a sensibilidade amorosa dos personagens. Mesmo assim, trata-se de entretenimento sem miolos que cumpre o seu objectivo de descontrair. No final, os Mercenários aceleram para a sequela.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Hoje a superpotência somos nós

É um pouco ridícula a autopromoção da TVI em que Pedro Santana Lopes, o comentador com “licença para falar” (sic, ou melhor, tvi), é acompanhado pelo tema musical identificativo dos filmes da série James Bond. Santana Lopes como agente 007? A ligação mais óbvia remete para a sua fama de “playboy” a quem as mulheres não resistem. Por outro lado, enquanto Bond sai sempre vitorioso das suas aventuras (excepto em finais amargos como os de Ao Serviço de Sua Majestade e Casino Royale), Santana tem alternado vitórias com fracassos. No entanto, sabe-se sempre que as duas personagens, apesar das demoras e dificuldades de produção que os filmes sofrem, vão sempre regressar, mais cedo ou mais tarde, e sobreviver nas situações em que tudo parece perdido. Eles andam por aí, quanto mais não seja no imaginário do público. 2012 deverá ser o ano de um regresso em grande estilo do agente secreto britânico. E Santana, que planos terá guardados para relançar a sua saga?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Galvão e Amaral, salvai Portugal

Bíblia dos Anos 80, de João Pedro Bandeira (Prime Books, 2010), aproveita a boleia do sucesso de Caderneta de Cromos, embora o livro de Nuno Markl não seja referido na bibliografia da obra de Bandeira. Das séries de animação japonesas referidas nesta, vi apenas As Aventuras de Tom Sawyer e Os Três Mosqueteiros.  

Duas correcções devem ser feitas a pormenores do texto da obra. Em 1982, segundo o autor, “Fausto grava “Por Este Rio Acima”, o primeiro de uma trilogia inacabada sobre a “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto” (p. 164). A trilogia de álbuns criados por Fausto aborda, na verdade, o conjunto da Expansão portuguesa. A Peregrinação serviu de inspiração a Por Este Rio Acima, tal como a História Trágico-Marítima ao álbum Crónicas da Terra Ardente. A série já não está propriamente inacabada, uma vez que Fausto apresentou ao vivo as canções do terceiro tomo, a serem gravadas este ano sob direcção musical de José Mário Branco. Mais à frente, um erro grave para quem também escreveu a Bíblia do FC Porto: “Em 1984, o Porto já tinha chegado à final dos Campeões Europeus, mas foi derrotado, dessa vez, pela Juventus” (p. 203). A final perdida de 1983/84 encerrou a edição desse ano da Taça das Taças.