Encontrar algo útil no meio da tralha é parte essencial do trabalho de um historiador.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sê um cidadão activo, informado e interveniente

A Bola, 16 de Outubro de 1933

“Adolf Hitler, chanceler do Reich, na recente visita que fez ao curso preparatório dado a 570 jovens, no Stadium de Grunewald, achou insuficientes os planos de construção do Stadium Olímpico.
Ele terá que ser ainda muito mais gigantesco.”

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Meu Deus, aquilo pega-se?

A Bola, 13 de Março de 1933

“O Club Radiofónico de Portugal inaugurou ontem a sua secção desportiva, que fica a cargo do nosso querido director, Tavares da Silva. O nosso director transmitiu ontem ao público as suas impressões sobre o Porto-Lisboa, fazendo uma pequena crónica com as notas mais sugestivas do grande encontro disputado entre jogadores das duas cidades.”  

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mulher que ama mulher sabe bem o que quer

Seguem-se as frases finais das Mensagens de Ano Novo dirigidas por Américo Tomás aos portugueses, ao longo do seu primeiro mandato como Presidente da República (1958-1965), de acordo com a compilação de discursos Sete Anos na Chefia do Estado (Secretariado Nacional da Informação, 1965):

1959: “O génio lusíada levou-nos a toda a parte e em quase toda a terra moureja ainda a nossa gente; a todos no começo deste ano desejo, por igual, as maiores felicidades – por todos, neste dia, dirijo a Deus as mesmas preces.”
1960: “Deus leve a todos os lares onde palpitam corações portugueses a tranquila felicidade que o Chefe do Estado, indistintamente e por igual, a todos deseja.”
1961: “Que todos os lares portugueses possam sentir-se felizes nesta quadra festiva e gozem da maior paz neste novo ano, são os votos que o Chefe do Estado fervorosamente formula por dever do cargo e, sobretudo, por imperativo do coração.”
1962: “Por mais amargurada que a alma se sinta, nunca deve descrer do poder de Deus. E n’Ele deposito as minhas maiores esperanças, de melhores dias para Portugal.”
1963: “Com fé removem-se montanhas e há que confiar, com fé, no triunfo final do Bem sobre o Mal. Tenhamos também nós esperança, neste dia que enche de esperança quase toda a humanidade.”
1964: “Confio em que virão melhores dias para Portugal, neste novo ano de 1964. Portugal, País missionário, como talvez nenhum outro, bem merece a protecção divina. E ela não lhe faltará.”
1965: “E esse pouco, que é muito, que é tudo, consiste em rogar fervorosamente a Deus, nesta alvorada dum novo ano, que dê a merecida Paz a Portugal e inunde de luz, de vida e de felicidade todos os lares portugueses.”

domingo, 10 de julho de 2011

Há histórias aos quadradinhos formidáveis

O terceiro filme de Richard Kelly, Presente de Morte (talvez The Box não tenha sido traduzido para A Caixa devido ao filme de Manoel de Oliveira com esse título), parte de uma premissa semelhante à do livro O Mandarim, de Eça de Queirós (a possibilidade de matar um desconhecido através de um simples gesto e assim receber uma fortuna), mas não chega a explorar convenientemente a questão dos remorsos posteriores ao acto consumado. A história prossegue um caminho de bizarria e mistério, já nosso conhecido do filme de 2001 que catapultou Kelly para a fama, e chega a intrigar pela incerteza sobre o que virá a seguir. Mais ou menos a partir da canção Fearless, dos Pink Floyd, a falta de nexo e o surrealismo das cenas atingem um ponto que destrói qualquer interesse. Salva-se a presença (e a voz) inquietante de Frank Langella, enquanto Cameron Diaz e James Marsden não passam do razoável. Em relação a Donnie Darko, Kelly manteve a capacidade de surpreender o espectador, mas as de atrair, estimular e questionar ficaram pelo caminho. 

P.S. A Junta de Freguesia de Odivelas anunciou a realização das Festas da Cidade (indicando mesmo vários nomes de artistas), mas, logo a seguir, um comunicado lacónico revelou que este ano nada acontecerá no recinto da Feira do Silvado, onde as estruturas tinham já começado a ser montadas. Soube-se depois que o cancelamento foi provocado por irregularidades cometidas pela Junta na escolha da empresa à qual foi atribuída a organização do evento. A JFO também divulgou que a mensal Feira de Antiguidades e Velharias ocorreria hoje junto ao Rio da Costa, sem que nada viesse a aparecer na área indicada. Começa a ser definido aqui um padrão.

terça-feira, 5 de julho de 2011

As democracias não temem o terrorismo

Ninguém me convidou mas eu queria entrar:

1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Costumo arrumar o livro na estante e passar ao próximo (um livro não precisa de tanto carinho e atenção como um CD). No entanto, os cartoons de Quino podem ser lidos muitas vezes.  

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Balada da Praia dos Cães, de José Cardoso Pires.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Almanaque do FC Porto, de Rui Miguel Tovar. 

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
D. Manuel I, de João Paulo Oliveira e Costa.
5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
1984, de George Orwell.

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
A minha formação intelectual residiu sobretudo nas revistas de BD da Disney e da Turma da Mónica. Entre 1992 e 1994, li com frequência os jornais A Bola, Record e Gazeta dos Desportos. Depois vieram os álbuns do Astérix e do Tintim, as tiras da Mafalda e os livros de Alice Vieira, Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada e Maria Teresa Maia Gonzalez.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Tive de ler vários assim quando estudava na FCSH-UNL.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Os Maias (Eça de Queirós), Explorando a Lua (Hergé), Astérix e os Godos (René Goscinny/Albert Uderzo), Explicação dos Pássaros (António Lobo Antunes), Memorial do Convento (José Saramago), Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez), As 3 Vidas (João Tordo), Glória (Vasco Pulido Valente), “El Portugués” (Paulo Futre e Luís Aguilar), Conquistadores de Almas (José Luís Pinto de Sá), O Triunfo dos Porcos (George Orwell), Peregrinação (Fernão Mendes Pinto), O Suplente (Rui Zink), Gabriela, Cravo e Canela (Jorge Amado), Auto da Índia (Gil Vicente), etc.

9. Que livro estás a ler neste momento?
O Homem do Turbante Verde, de Mário de Carvalho.

domingo, 3 de julho de 2011

Se o Futre tá em campo, é golo

A revista Notícias Magazine de hoje apresenta uma entrevista a Leila Marques, médica, ex-nadadora de alta competição e presidente da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência. Numa breve conversa, Leila fala do seu percurso pessoal, tal como dos actuais objectivos e dificuldades da FPDD e do desporto adaptado, ainda prejudicado pelas mentalidades vigentes em Portugal. A propósito, aproveito para agradecer aqui o apoio que Leila Marques e a FPDD generosamente concederam ao CHFD, cedendo vários livros sobre as participações portuguesas nos Jogos Paralímpicos.

O crocodilo está debaixo da nossa cama

Dragões, Outubro de 1992

Luís Gonçalves: “ (…) Após esta inesperada derrota, a equipa (do FC Porto) soube manter o antídoto para tal anormalidade e, no jogo seguinte, com o vizinho Salgueiros, a exibição e o resultado (4-1) foram de molde a tranquilizar todos os adeptos azuis e brancos. Foi bonito de ver que, dos onze jogadores que começaram este encontro, dez são produto das nossas escolas. O trabalho realizado pelo Departamento de Futebol Juvenil tem dado os seus frutos e a sua rentabilidade é, pois, um facto, o que deve merecer os maiores elogios de todos nós. Há nesta Clube uma boa organização que leva a que se possam colher os maiores dividendos da política seguida nas camadas jovens. O diálogo existente entre o futebol sénior e o futebol mais jovem é uma realidade, o que traduz a mística do dragão. Só assim é possível manter uma estrutura sólida e um forte espírito de grupo, condições indispensáveis para o êxito. Estes atributos estão consubstanciados nos resultados alcançados pelo nosso Clube nos últimos anos. (…)” (p. 4)

(O FCP começou o jogo com o Salgueiros alinhando com Vítor Baía, João Pinto, Aloísio, Fernando Couto, Bandeirinha, Rui Filipe, Jaime Magalhães, Semedo, Jorge Couto, Domingos e Toni)