Encontrar algo útil no meio da tralha é parte essencial do trabalho de um historiador.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

És o nosso paraíso terreno

A primeira estrofe da letra da canção “Ser Solidário”, de José Mário Branco, constitui uma autêntica filosofia de vida, que ganha um impacto especial ao ser repetida no final de “FMI”, quando o cantor recupera da explosão de raiva e desespero e obtém forças para continuar:


Ser solidário, assim, pr’além da vida

Por dentro da distância percorrida

Fazer de cada perda uma raiz

E improvavelmente ser feliz


Se eu sigo essa orientação? Não, mas não deixa de ser um objectivo a perseguir…

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Vamos mostrar ao mundo a força do dragão

A colecção de sínteses historiográficas de autores portugueses e estrangeiros que a editora Texto iniciou recentemente possui grande interesse. É difícil memorizar todos os factos que os livros da série apresentam, mas posso resumir várias obras em breves “morais da história” traduzindo as impressões transmitidas pelos historiadores. É o caso de Franco (“uma jóia de pessoa, sim senhor”), de Michael Streeter, A Segunda Guerra Mundial (“uma grande época para matar”), de Gerhard Schreiber, e Afonso Costa (“este homem é uma desgraça”), de Filipe Ribeiro de Menezes.

O seu bilhete é par


República, 25 de Setembro de 1975, p. 11


“Eusébio: Quem foste? Quem serviste? Quem serves?

Foste o ídolo de milhões de homens e crianças de um país sem pão. De um país sem liberdade e sem esperança.

Foste um campeão a partir do impossível. Só porque nasceste já campeão.

Foste um proletário do desporto. Bem pago, é certo. Sem que disso tivesses qualquer culpa.

Serviram-se de ti para mostrar ao mundo um desporto que nunca tivemos. Porque era mais fácil promover um campeão do que construir um desporto.

Serviram-se dos teus golos e das tuas “botas de ouro”, que correram mundo, para mostrarem a nossa “superioridade” desportiva. Para disfarçarem as nossas múltiplas insuficiências.

Serviram-se de ti para fazerem os seus negócios chorudos. Para venderem mais jornais. Para encherem os bolsos. Para se promoverem em caixa alta.

Serviram-se de ti para saciares a angústia de cada um de nós. Para esquecermos as nossas carências. Para adiarmos as nossas lutas.

Serviram-se de ti para que ganhássemos o impossível. Impuseram-te a obrigação de ganhares. Sempre te negaram o direito do fracasso.

Hoje continuas a servir os teus exploradores. Apenas mudaram de nome. Mudaram de sítio. De país. Mas não deixam de ser os mesmos abutres ávidos.

Hoje continuas a servir os que não cansam de te explorar. Querem sugar-te até à última finta. Até ao último golo…

Até onde chegarão?”

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Grande coisa, ter um curso!

“Contraluz” (2010), de Fernando Fragata


O quinto filme realizado por Fernando Fragata, um cineasta “comercial” luso que gere habilmente o marketing das suas obras, publicitadas com antecedência na Internet (o trailer inclui uma mensagem marcante de António Feio, a quem “Contraluz” é dedicado), é todo ele americano na sua essência, recorrendo a actores naturais dos EUA ou que aí trabalham, como Joaquim de Almeida e Ana Cristina de Oliveira (a qual está ligada a uma cena em que é introduzida música portuguesa de forma despropositada). A greve dos argumentistas disponibilizou a Fragata meios e pessoal para filmar as paisagens desérticas da Califórnia e aproveitar cenários de grande valor como um cemitério de aviões.


De forma semelhante a “Sorte Nula”, do mesmo realizador, “Contraluz” reúne várias histórias e personagens que se desenvolvem em paralelo até se cruzarem num final que clarifica o conjunto. No entanto, se no filme de 2004 Fragata conseguia manter até certo ponto uma dose de mistério, aqui tudo se torna previsível logo que o espectador compreende o mecanismo do argumento.


O género adoptado é o drama, ao serviço do qual o cineasta põe expressamente algumas anedotas brejeiras. As boas intenções de Fragata resultam, no entanto, em fracasso, devido à sua falta de talento para a realização, que torna o filme por vezes penoso de ver. A banda sonora acompanha de maneira irritante diálogos inconsequentemente extensos ou algo vazios e a história não é convincente, deixando muito por explorar. Na verdade, pouco podem os actores fazer para melhorar o produto final.


Seria quase um crime não utilizar para o cinema os cenários naturais apresentados na tela, mas Fernando Fragata não é o contador de histórias que o seu projecto exigia.

A melhor cena: Jay ouve o GPS.

A pior cena: O salvamento na água.



Nota: 4/10.

O oceano a rugir de amor

Uma lista de 25 das minhas canções preferidas de José Cid, por ordem aleatória:

1. Como o Macaco Gosta de Banana
2. No Dia em que o Rei Fez Anos
3. Na Cabana Junto à Praia
4. Os Carneirinhos
5. Fuga para o Espaço
6. Ontem, Hoje e Amanhã
7. Sonhador
8. Magia
9. Veneno Bom
10. O Melhor Tempo da Minha Vida
11. Madrugada na Praia Deserta
12. 20 Anos
13. Um Grande, Grande Amor
14. Tenho Este Amor para Dar
15. Domingo em Bidonville
16. A Lenda de El-Rei D. Sebastião
17. Balada para D. Inês
18. Doce e Fácil Reino do Blá, Blá, Blá
19. O Meu Piano
20. A Minha Música
21. Mudança (No Meu Veleiro)
22. Só
23. 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte
24. No Tempo em que o Toninho Lanchava com os Amigos na Pastelaria S. Bento
25. Rock Rural

Nesta família não há chefes, somos uma cooperativa

Com "Herman 2010", Herman José tem finalmente um programa onde criar raízes. O facto de o anfitrião só convidar amigos e pessoas de que gosta dá lugar a conversas interessantes e animadas, mas falta um certo sabor de polémica. Porque Herman não entrevista figuras como Felícia Cabrita ou Bento XVI?

A melancia da meiguice

Um, dois, três. Experiência.