Encontrar algo útil no meio da tralha é parte essencial do trabalho de um historiador.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Comeste o folar dos meus avós


A enciclopédia Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, publicada em 18 volumes pelo Círculo de Leitores, conheceu suplementos em 1988 e 1992, antes do volume 21 surgir em 1996, com informação relativa sobretudo aos quatro anos anteriores (1992-1995). A actualização de uma enciclopédia permite acrescentar dados a entradas biográficas já presentes nos primeiros volumes (assinaladas com um asterisco na nova edição) e incluir verbetes novos, abordando personalidades recentemente tornadas célebres. No caso da Lexicoteca, o volume 21 apresenta novas entradas sobre futebolistas, permitindo ter uma ideia de quais foram os valores consagrados ou revelados na primeira metade da década de 90 do século passado. Assim, entre portugueses e estrangeiros, surgem a negrito os nomes de Roberto Baggio, Vítor Baía (com fotografia), Franco Baresi, Bebeto, Butragueño, Claudio Caniggia, Rui Costa (fotografia), Fernando Couto (fotografia), Domingos (fotografia), Figo (fotografia), Ruud Gullit, Gary Lineker, Jean-Pierre Papin, João Pinto, João Vieira Pinto, Bernd Schuster, Paulo Sousa e Marco Van Basten.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sem abraço, sem beijinho, sem aperto de mão

Porque é que, depois de publicar as Bíblias do Benfica e do Sporting, Luís Miguel Pereira não escreveu um livro semelhante sobre o FC Porto, resolvendo abordar antes a seleção do Brasil? São inegáveis o interesse e a riqueza da história dos pentacampeões mundiais. No entanto, os adeptos portistas vão continuar à espera da "sua" Bíblia, numa situação desfavorável. Nem seria difícil para o autor tratar da história portista, que já aflorou em Caretas do Porto e Somos os Melhores, Carago!

Senhor Deus, misericórdia!


Diário do Governo, II Série, Nº 223, 26 de Setembro de 1975

“Por despacho ministerial de 22 de Julho último:
David Marques, escrivão da Junta de Freguesia de Odivelas, concelho de Loures – demitido da função pública, nos termos do artigo 7º, nº 1, alínea b) do Decreto-Lei nº 123/75, de 11 de Março, com efeitos a partir de 25 de Julho de 1974.
Secretaria-Geral do Ministério (da Administração Interna), 17 de Setembro de 1975. – Servindo de Secretário-Geral, o Inspector Superior Administrativo, Manuel Pereira.”

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Bandidos, tremei!


A propósito de golos esquisitos e de validade duvidosa, convém recordar o acontecimento referido por Fernando Correia em Histórias Proibidas (Livros do Brasil, 2008). O lance ocorreu na final do Campeonato de Portugal de 1936/37 (embora a temporada não seja indicada por Correia, que diz apenas que Manuel Marques, ou Manecas, já se fixara na equipa principal do Sporting), disputada no campo do Arnado, em Coimbra, por Sporting e FC Porto:

” (…) O jogo decorria equilibrado e a meio do segundo tempo estava empatado 0-0. Nessa altura, o avançado Reboredo, do FC Porto, jogou a bola com a mão dentro da grande área do Sporting. Ouviu-se um apito. Os jogadores das duas equipas pararam e Jurado, defesa dos “leões”, com toda a naturalidade, agarrou na bola e colocou-a no local da infracção para marcar o respectivo livre.
Perante o espanto geral, o árbitro aproximou-se e mandou marcar uma grande penalidade contra o Sporting, porque (explicou) não tinha apitado.
Vianinha (ex-jogador do Sporting) fez o golo do triunfo portista.
Para muitos, o que se passou foi incrível… mas verdadeiro.” (pp. 116-117)

Na verdade, o resultado antes do penálti era de 2-1 a favor do FCP. Mais tarde, Pireza faria o 3-2, estabelecendo o resultado final. O lance polémico não deixou de ser abordado na crónica do desafio publicada em Os Sports de 5 de Julho de 1937:

“ (…) A bola da vitória da equipa portuense derivou, todavia, de uma decisão errónea do juiz de campo (Santos Palma).
Quando, aos trinta e um minutos da segunda parte (…) se ouviu apitar, a impressão geral do público era, de facto, de que ia assistir-se à marcação de um “livre” contra o Porto. Mas, afinal, o jogo foi reatado com um “penalty” contra o Sporting por falta de “mão”, aliás desculpável e verificada depois da do portuense, atribuída ao defesa direito lisboeta.
A saída da partida derradeira do campeonato de 1937 teve, assim, aquele “lance de lotaria” que os ingleses dizem fazer parte fatal de todas as partidas de grande importância, principalmente de final. (...)”

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Senti-me um macho falhado


O Diploma Legislativo nº 3208, de 17 de Janeiro de 1962, assinado pelo governador-geral de Angola, Venâncio Deslandes, regula as actividades gimnodesportivas na então colónia portuguesa. De acordo com o diploma, o Conselho Provincial de Educação Física (CPEF), criado em 1956, é a principal entidade reguladora do desporto angolano, impondo aos privados (clubes e associações) as orientações estatais e assumindo um papel semelhante ao que a Direcção-Geral de Educação Física, Desportos e Saúde Escolar detinha na metrópole. Em todas as instalações desportivas da “Província de Angola”, teria que existir um camarote ou lugares de primeira categoria reservados exclusivamente aos representantes do CPEF (artigo 84º). 

Os clubes angolanos estão sujeitos a múltiplas exigências do CPEF, de cujo parecer depende a autorização conferida pelo governador à criação de determinada colectividade e a aprovação dos seus corpos gerentes. Os nomes escolhidos nas assembleias-gerais seriam remetidos a Luanda num prazo de dez dias após a eleição dos dirigentes clubísticos, que só assumiriam funções depois da publicação no Boletim Oficial do despacho do governador sancionando a eleição. Clubes e associações poderiam ser extintos caso exercessem qualquer actividade “contrária à ordem social” (artigo 54º). A situação financeira dos clubes seria controlada através do envio ao CPEF dos projectos de orçamento e de relatórios anuais da gerência. A aprovação oficial seria igualmente necessária quanto às infra-estruturas desportivas, sujeitas a vistoria de modo a saber se possuíam as condições “indispensáveis ao mínimo satisfatório à eficiência do ensino” (artigo 105º) da ginástica, cuja prática é obrigatória para os clubes, que não poderiam realizar obras nas suas instalações sem apresentar os respectivos projectos ao Conselho Provincial. O CPEF superintende ainda assuntos como as transferências e a participação de atletas angolanos em competições internacionais.

Em Julho de 1975, o presidente do então apenas Conselho de Educação Física de Angola é Daniel Rogério Leite, inspector de Educação Física e Desportos, que passa à situação de aposentado (Diário do Governo, II Série, nº 156, 9 de Julho de 1975).

I left the sunshine and the vineyards of my valley


Por volta de 1996, Inês de Medeiros apresentava na RTP2 o programa O Filme da Minha Vida, onde figuras públicas escolhiam a sua longa-metragem preferida, que seria exibida a seguir ao diálogo da apresentadora com o convidado. Esse espaço televisivo, recentemente lembrado pelos promotores de uma petição em defesa da melhoria da programação cinematográfica do segundo canal público, foi importante na divulgação de clássicos da Sétima Arte, além de permitir conhecer melhor os convidados. No entanto, só consigo recordar especificamente as escolhas de cinco celebridades: António Guterres (O Mundo a Seus Pés), Jorge Sampaio (O Leopardo), António Sala (Clube dos Poetas Mortos), Ana Bola (Monty Python e o Cálice Sagrado) e Cecília Carmo (Kramer Contra Kramer). Seria interessante se alguém soubesse de outras participações no programa de Inês de Medeiros.

domingo, 31 de outubro de 2010

Eu quero um preço só para mim


Os meus álbuns portugueses preferidos, por ordem aleatória, são:

Mingos e os Samurais, de Rui Veloso
Iniciação a uma Vida Banal – O Manual, dos Da Weasel
Circo de Feras, dos Xutos & Pontapés
Cantigas do Maio, de José Afonso
10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte, de José Cid