Encontrar algo útil no meio da tralha é parte essencial do trabalho de um historiador.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Quem trai o Quim, trai o João



Diário do Governo, II Série, 13 de Março de 1969

“Por despacho de S. Exa. o Secretário de Estado da Informação e Turismo de 24 de Fevereiro de 1969, foi confirmada a declaração de utilidade turística do conjunto similar hoteleiro que a Anglopor – Companhia Imobiliária Anglo-Portuguesa, SARL, levou a efeito entre as praias do Alvor e dos Três Irmãos, constituído por restaurante, snack, bar-boîte, piscina e instalações balneares, e já anteriormente concedida, a título prévio, por despacho de 23 de Fevereiro de 1968 (…).
Foram, no entanto, impostos os seguintes condicionamentos, sem cuja observância caducarão os benefícios emergentes da referida declaração:
a) Inclusão nas ementas e cartas de vinhos de pratos e vinhos típicos da região;
b) Quando houver necessidade de admitir pessoal, dar preferência aos diplomados pelas escolas hoteleiras.
Direcção-Geral do Turismo, 27 de Fevereiro de 1969. – O Director-Geral, Álvaro Roquette.”

sexta-feira, 22 de março de 2013

Deixa-me entrar dentro de ti



Diário Popular, 25 de Setembro de 1969

“Álvaro Cunhal conferenciou com Brejnev

Moscovo, 25 – O chefe do Estado Comunista russo, Leonida (sic) Brejnev, conferenciou com o secretário-geral do clandestino Partido Comunista Português, Álvaro Cunhal – anuncia a “Pravda”.
Na reunião – acrescenta a notícia – também participou Boris Ponomarev, secretário da Comissão Central do Partido Comunista Russo. – (ANI).” (p. 15)

sábado, 16 de março de 2013

Não tens mesmo queda para isto




Boletim Oficial de Moçambique, II Série, 12 de Outubro de 1968

“O agente de 2ª classe José Cardoso Soares, da Polícia Internacional e de Defesa do Estado, numa acção de perseguição e intercepção de um grupo de terroristas demonstrou grande coragem e entusiasmo nas operações efectuadas.
Sendo justo dar público testemunho do que foi a sua acção;
Sob proposta do Subdirector da Polícia Internacional e de Defesa do Estado;
No uso da competência atribuída pelo artigo 155º da Constituição, o Governador-Geral de Moçambique manda:
É louvado o agente de 2ª classe José Cardoso Soares pela forma como se comportou ao conseguir desarmar e deter um terrorista, no que demonstrou muita serenidade e sangue-frio, e pelo desembaraço, brio e desprezo pela vida que evidenciou num ataque a um grupo inimigo, perseguindo-o resolutamente pelo mato e abatendo um elemento desse grupo, pelo que deve ser apontado como exemplo a seguir pelos seus camaradas.
Cumpra-se.

Residência do Governo-Geral, em Lourenço Marques, aos 10 de Outubro de 1968. – O Governador-Geral, Baltazar Rebello de Sousa.”

sexta-feira, 1 de março de 2013

A última viagem do "papa-milhas"



A Bola, 30 de Agosto de 1956

“Varela Marques está disponível

Varela Marques, antigo jogador do Belenenses e mais tarde treinador-adjunto e orientador das escolas do mesmo clube, que há anos vinha exercendo o cargo de treinador do Sport Lisboa e Olivais, deixou de desempenhar estas funções, pelo que se encontra livre de compromissos.” (p. 6)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Às vezes uma coisa fode a outra e fica tudo fodido



No Verão de 1956, a equipa de futebol da Académica de Coimbra, onde Cândido de Oliveira treinava jogadores como Rocha, Bentes e Mário Wilson, realizou uma digressão a Angola e Moçambique. Após uma série ininterrupta de vitórias em território angolano, a Briosa foi calorosamente recebida no aeroporto de Mavalane, em Lourenço Marques (a AAC não voltara a Moçambique desde 1938), no dia 20 de Agosto. Cândido de Oliveira, conhecido como “mestre Cândido”, foi particularmente bem acolhido. Os membros do Núcleo Casapiano de Moçambique, fundado em 1934, deslocaram-se a Mavalane para saudar o Chumbaca, abraçado por personalidades como António Roquete, o antigo guarda-redes do Casa Pia e da selecção nacional em cuja vida Cândido fora decisivo (as relações entre ambos terão mudado em 1942, quando Cândido foi preso pela PVDE, a polícia na qual o antigo guarda-redes trabalhava). Roquete estaria presente na homenagem pública a Cândido de Oliveira que os casapianos de Lourenço Marques promoveram a 28 de Agosto, no restaurante Peninsular. O então treinador da Académica constituía uma referência para os ex-alunos da Casa Pia de Lisboa. Durante as duas semanas em que a AAC permaneceu em Moçambique, além dos banquetes e recepções públicas à equipa coimbrã (diplomados pela Universidade de Coimbra a residir em Moçambique, como o advogado Almeida Santos, participaram nesses eventos), Cândido seria alvo de outras solicitações e homenagens. Na sede do Desportivo, o técnico e jornalista proferiu a conferência “Futebol, Técnica e Táctica” (título de um dos seus livros). Cândido aproveitaria para fazer uma breve viagem de avião ao Norte de Moçambique, “em visita a uma pessoa de família” (Notícias, 30 de Agosto de 1956).

Em Lourenço Marques, a Académica disputou quatro partidas, frente aos principais clubes locais, Sporting, Desportivo e Ferroviário, e a um misto de jogadores das três equipas. Derrotados por 2-1 quer pelo Sporting quer pelo Desportivo, os “estudantes” triunfaram sobre o Ferroviário (4-2) e o misto laurentino (2-1). Embora os meios desportivos de Moçambique desejassem assistir a mais jogos com a AAC, em especial na Beira, a Académica estava pressionada pelo iminente começo do campeonato da I Divisão (a 9 de Setembro, em Alvalade). Os coimbrões deixaram Lourenço Marques em 2 de Setembro, passando por Luanda para defrontar a selecção local antes de regressarem à metrópole.