Encontrar algo útil no meio da tralha é parte essencial do trabalho de um historiador.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Crítica honesta e independente é o nosso lema

As listas de funcionários da PIDE/DGS (como tal abrangidos pela Lei nº 8/75) incluem, além de agentes, chefes de brigada e outros responsáveis pela investigação e combate aos crimes políticos, centenas e centenas de membros do pessoal auxiliar e administrativo, como escriturários, dactilógrafos, oficiais, chefes de secção, contínuos, serventes, auxiliares de limpeza, etc. Múltiplas perguntas surgem acerca desta multidão de trabalhadores necessários ao funcionamento da polícia política. Quem eram (ou são) estas pessoas? Pensariam que trabalhavam na PIDE como noutro sítio qualquer? Porque se teriam empregado naquele organismo repressivo? Poderiam alegar desconhecimento da violência sobre os presos políticos? Teriam contacto com estes? Como se relacionavam com os dirigentes e agentes da polícia? Dariam garantias de apoiar a ditadura ou pelo menos serem-lhe indiferentes? É possível seguir o seu percurso através da segunda série do Diário do Governo? Que clubes de futebol apoiariam? Iriam ao cinema? Que pensariam durante os últimos anos do Estado Novo? Tentaram ir trabalhar na manhã de 25 de Abril de 1974? Como reagiram à dissolução da polícia onde trabalhavam (no caso dos funcionários residentes em Angola e Moçambique, é possível que muitos tenham ido para a África do Sul)? Além de terem processos na Comissão de Extinção, sofreriam de um estigma após a queda da ditadura? Ocultaram esse passo do seu currículo? Inscreveram-se em partidos de esquerda? A que transportes recorria a auxiliar de limpeza Laurinda de Jesus David para se deslocar do Bairro Dr. Mário Madeira (Pontinha) até à Rua António Maria Cardoso?

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