Encontrar algo útil no meio da tralha é parte essencial do trabalho de um historiador.

terça-feira, 24 de maio de 2011

A loura platinada não me soube a nada

Uma das canções “de intervenção” emitidas pelos altifalantes dos carros de campanha da CDU é A Cantiga É uma Arma, do GAC. Autor da letra e música, José Mário Branco reflecte sobre o próprio género da canção de intervenção e um coro entusiasta faz da cantiga uma arma “contra a burguesia”. No entanto, Branco e o conjunto do GAC estavam em 1975-1976 politicamente alinhados com a UDP e o PCP (R), movimentos de extrema-esquerda que lutavam pela constituição de um verdadeiro partido comunista em Portugal, contra os “revisionistas” e “falsos amigos do povo” agrupados no PCP de Álvaro Cunhal. O CD A Cantiga É uma Arma, lançado no ano passado pela Valentim de Carvalho, recupera uma gravação inédita do GAC, Hino da Reconstrução do Partido, que inclui os versos “Fora com os revisionistas/ De Cunhal e sua companhia/Que se mascaram de comunistas/Para melhor servir a burguesia/A traição será vingada/Numa irresistível maré/Pelo Partido que derrubaram/A classe operária está de pé”. Ironicamente, o tema mais célebre do GAC é agora aproveitado na campanha da CDU. Na verdade, a música cedo deixa de pertencer aos seus criadores. Os Xutos & Pontapés não pretendiam originalmente que Sem Eira nem Beira (canção também emitida pelas viaturas comunistas) se transformasse num hino contra José Sócrates.

1 comentário:

  1. Soube hoje que são os automóveis do Bloco de Esquerda que difundem "A Cantiga É uma Arma". Esqueçam o que escrevi.

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